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Contar a própria história: a Consciência Negra e a mulher negra no mercado de trabalho 

Ontem foi dia do Empreendedorismo Feminino, data que, por aqui, a gente comemora muito. Não só porque a Zan é liderada por uma mulher e tem uma equipe completamente feminina, mas porque ver o mercado de trabalho se adaptando a profissionais que não se escondem mais e que movimentam a economia e as diversas áreas de trabalho é uma conquista gradual, mas que enche o peito de orgulho.

E hoje, 20 de Novembro, é Dia da Consciência Negra, outra data que também é especial, mas porque nos ensina muito e traz muita reflexão. Aproveitando esses dois dias importantes que se dão na sequência, entrevistamos nossa parceira e cliente Rosemeire Santos, consultora financeira, empreendedora e mulher negra pra saber como ela enxerga esse momento do mês de novembro.

Rose Santos ministrando um curso de finanças

Zan: Como mulher e empreendedora negra, o que significa pra você o 20 de novembro?

Rose: O 20 de novembro é uma data pra ser lembrada! Um dia antes, é o dia do empreendedorismo feminino. Pra mim é um momento de reflexão porque, na verdade, a competência não vem de ser homem ou de ser mulher, ser negro ou ser branco. Competência a gente adquire, tem habilidades que já nascemos com elas, outras que desenvolvemos com treinamentos, cursos, leituras. Então, nós empreendedoras negras precisamos ser vistas por nossas competências e não pela cor da pele, pelo cabelo enrolado ou crespo, mas sim naquilo que nós podemos agregar! Que olhem mais para nossas competências, para aquilo que nós temos a oferecer e que isso venha a frente de ser ou não mulher e de ser ou não negro. Zan: Você ja teve algum problema no mercado de trabalho relacionado a preconceito? E se sim, como lidou com isso?

Rose: Confesso que eu nunca percebi preconceito no ambiente de trabalho, sempre fui muito bem acolhida e recebida nas empresas que trabalhei. Eu sempre cheguei com o espírito de agregar, de somar na equipe. Acredito que esse possa ter sido um diferencial, mas pode ter acontecido de, em alguma vaga, eu não ter sido chamada por conta da cor da pele. Mas nunca me foi revelado em nenhum processo de seleção. Zan: Você trabalha com uma área que ainda é majoritariamente ocupada por homens: números e finanças. Como se sente como mulher estar crescendo com o seu negócio nessa área?

Rose: Eu acho ótimo nós mulheres estarmos crescendo como donas do nosso próprio negócio. Hoje a gente acaba superando os homens em relação ao empreendedorismo. Quando eu estudei finanças, nós mulheres éramos a maioria. Porém, alguns dos homens tinham cargos bem mais elevados do que as meninas. Na escola de negócios nós somos maioria, mesmo eles tendo doninado o mercado há tantos anos. Isso vem porque a mulher decidiu assumir uma nova postura de protagonista! Nós não somos indefesas, muito pelo contrário: nós somos muito mais fortes do que pensamos, a gente só precisa descobrir a própria força! Um tempo atrás eu fiquei muito feliz porque, geralmente, os motoristas de ônibus são todos homens, é uma área muito masculina. E eu peguei um ônibus que era uma mulher linda, dirigindo um ônibus de viagem. Eu achei muito bacana a empresa colocar uma mulher à frente do comando de um ônibus. Zan: O que você espera num futuro próximo para mulheres empreendedoras negras?

Rose: Eu espero que as mulheres negras continuem se capacitando, nós podemos muito mais! E assumir nossa postura de profissional, empresária, empreendedora e impor esse respeito onde a gente chegar! Para que olhem para a competência e não pra pele, corpo, cabelo, mas para aquilo que ela traz. Zan: Como você acha que a sociedade pode contribuir com o crescimento delas?

Rose: A sociedade, de forma geral, tem acolhido. Nós somos a maioria empreendedora então a gente é responsável por muitas contratações. Ainda têm os homens que não toleram isso mas é uma realidade e a sociedade vem abraçando. Um exemplo disso são os grupos de empreendedorismo feminino espalhados pelo país, elas têm se juntado assim como os homens se juntam para mostrar que são donas da própria história. A sociedade vem abraçando com um novo olhar, mas porque a mulher está se posicionando para ser protagonista da sua própria vida!

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