Consciência Negra: um bate-papo com quem vive esta luta

Hoje é o Dia da Consciência Negra, que é celebrado em todo o território nacional. A data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder Zumbi, que lutou contra a escravidão do nordeste. A data relembra a importância de refletir    sobre a vivência dos negros em sociedade, que, até hoje, sofrem preconceito. A data foi estabelecida pelo projeto Lei n.º 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidenta Dilma Rousseff. Em alguns estados do Brasil, o Dia da Consciência Negra é feriado.


Qual a melhor forma de falar sobre este dia e sobre esta luta senão conversando com quem a vivencia ativamente? Por isso, a Zan conversou com a jornalista Luana Victoria que, no ano de 2018, desenvolveu um documentário para seu Trabalho de Conclusão de Curso chamado “Minha Luta Negra”, que aborda o Feminismo Negro e o impacto deste movimento na vida das mulheres ativistas, feministas e negras. Confira a entrevista!



Luana Victoria apresentando parte de sua pesquisa no congresso INIC, em outubro de 2018


Zan: Como surgiu a ideia do documentário e como foi pra você desenvolver? Como é sua relação pessoal com o tema?


Luana: A ideia surgiu de um autoconhecimento, eu estava dentro do movimento feminista, mas ainda não me sentia 100% bem, até descobrir a vertente do Feminismo Negro. Comecei a estudar, me aprofundar e me entender como uma mulher negra. Depois disso eu percebi que era um tema que precisava ser discutido, então nada melhor que fazer um documentário para que as mulheres do movimento feminista negro tivessem voz. E minha relação pessoal com tema é até difícil de explicar, porque eu entrei de cabeça nisso, me aprofundei e hoje eu sou completamente apaixonada pelo Feminismo Negro.


Zan: Como você vê a importância de falar sobre esse assunto e fazer com que o feminismo negro ocupe os espaços e chegue ao conhecimento de todos?


Luana: A importância de falar sobre esse assunto se dá a partir do momento que o movimento é construído justamente para a mulher negra ser reconhecida como gente, gente como qualquer outra, ter seus direitos reconhecidos, lutar contra machismo, racismo e outros tipos de violência e preconceito. Então precisamos falar sobre isso, essa pauta precisa estar na mídia, o número de mulheres negras que são mortas só aumentam, isso é muito pouco veiculado! Um trabalho de conclusão de curso já faz desse assunto reconhecido, as pessoas que pararem para assistir o documentário já vão sair com um pouco mais de conhecimento. Hoje, temos um número relevante de ativistas e blogueiras negras que falam sobre o assunto, mas a procura ainda é mínima, precisa ser mais buscado por outras pessoas. Espaços na mídia ainda são mínimos, mas já existem, só precisam receber mais atenção e conhecimento.


Zan: Pra você o que significa a data da Consciência Negra?


Luana: Pra mim, a data da Consciência Negra significa luta. Para ter essa data, muitos negros morreram, morreram para ganhar um mínimo de reconhecimento do sofrimento que passaram e até hoje tem pessoas que ainda não entendem a importância de nossas lutas. Então essa data é reconhecimento da nossa força e que ainda temos muito pelo que lutar.


Zan: Como os brancos podem somar na luta negra sem tomar o lugar de fala?


Luana: Os brancos podem começar entendendo a importância dessa luta negra, tentar conversar e entender o que nós passamos, dia a dia, para somar na luta, basta entender, quanto mais pessoas brancas informadas, menos racismo, menos violência e mais progresso.


Zan: O que o espectador pode esperar do seu documentário?


Luana: Muitas emoções, com toda certeza! O documentário reúne muitas informações sobre o movimento e histórias de vidas de pessoas que estão dentro dele, isso é um passo essencial de reconhecimento e de empatia.


O documentário da jornalista estreia na ExpoComArte, feira de exposição dos Trabalhos de Conclusão de Curso da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Comunicação da Univap, campus Urbanova. Ela acontece nos dias 27, 28 e 29/11, das 19h às 22h.

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